Ser agricultor é mais do que uma profissão, é uma forma diferente de estar na vida.



A sociedade portuguesa vive um hoje um período de mudança de paradigma de desenvolvimento e organização social e económica. Boas ou más, só com tempo poderemos avaliar. Uma das mudanças que aconteceu foi a visibilidade da profissão de agricultor. Ao longo dos últimos 30 anos a profissão de agricultor foi olhada com desdém pela sociedade. De facto, existiu, e ainda existe, um enorme estigma sobre a nossa profissão. A crise obrigou a mudar os discursos e os nossos governantes começaram a olhar para agricultura. Nunca como nos últimos 2 anos os nossos governantes falaram tanto sobre a importância da agricultura, o que levou que os órgãos de comunicação social também procurassem mais sobre o “nosso mundo”. Ouvimos, lemos e vemos em todos os órgãos de comunicação social inúmeras histórias sobre agricultores e súbitos apelos da terra dos excendentários de outros sectores. Uma boa coisa que devemos saudar, mas também devemos saber receber e acarinhar para que não estejam apenas de passagem. Mas uma das coisas que podemos e devemos fazer, pois depende apenas do comportamento de cada um de nós, é ter orgulho em ser agricultor. A forte pressão negativa que fomos sujeitos ao longo de décadas não ajuda, e muitos de nós quase que têm vergonha em dizer que são agricultores. Aproveitemos também esta mudança para valorizar a nossa profissão e o que produzimos.

Encaramos o futuro próximo com uma nova PAC que nos rege até 2020. Já sabemos que teremos mudanças. Mais importante que lamentar o que foi erradamente acautelado, importa planear o futuro com as regras que conhecemos.   

Importa planear e definir objectivos estratégicos nacionais em termos agrícolas. A aposta na agricultura deve ser feita em dois pilares estratégicos. Um pilar mais vocacionado para os nichos locais e regionais, onde os mercados e dinâmicas locais podem desempenhar um papel fundamental. Este pilar depende unicamente da responsabilidade e vontade das Autarquias e Cooperativas locais. O segundo pilar, vocacionado para Agro industria, para os volumes de maior escala, vocacionada para criação de fileiras de negócio. Depende da vontade, planeamento e estratégia dos nossos governantes e das nossas organizações de Agricultores.

A capacidade de luta e resistência é algo que nos caracteriza e isso não vai mudar, mas juntos conseguimos chegar mais fortes e mais longe. O cooperativismo Agrícola, tem uma vez mais uma palavra a dizer. Aproveitar o que existe de bom a maximizar o efeito escala de comprar e vender em grupo é um caminho que deve continuar a ser feito.

A competitividade do sector agrícola vai passar muito pela capacidade de se reinventar e responder de forma activa aos desafios presentes e futuros que nos esperam.

 

Idalino Leão

Agricultor e Presidente da Cooperativa Agrícola "A Lavoura" de Paços de Ferreira


Data de publicação: 2014-01-24 10:11:30

        

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